Na última quarta-feira (04), The Maine fez uma publicação no site Medium, refletindo sobre seus onze anos de carreira, o apoio de seus fãs e o porquê de seus meet & greets serem gratuitos: “Nossos fãs não precisam falir para nos apoiar”.

Confira o texto completo traduzido abaixo:

Conforme nos preparamos para começar nossa turnê “Modern Nostalgia” no final deste mês, estamos refletindo sobre os últimos 11 anos da nossa banda e pensando em como as coisas estão mais emocionantes do que nunca. Muito deste sentimento vem da liberdade criativa para fazer o que quisermos, sabendo que isso terá apoio das pessoas que escutam nossa música. Nossos fãs nos carregam de um álbum para o outro. É surpreendentemente simples. Nós construímos uma relação com nossos fãs que não apenas ajudou a sustentar nossa carreira, como também tem sido crucial para passarmos ao próximo nível. Tudo isso vem da ideia de que se você é fã de algo, não precisa falir para dar o seu apoio.

Vamos voltar para 2007. Nossa banda saiu de Phoenix para fazer alguns shows na costa leste que nós mesmos agendamos. Foi nossa primeira vez longe de casa tocando, e alguns shows nem ocorreram devido à propaganda ou à falta de ingressos vendidos. Não nos importamos. Para nós, o importante era estar na estrada tentando estar na frente do máximo de pessoas possíveis. Show ou não, só queríamos tocar música e conhecer qualquer um que estivesse interessado em nossa banda. Eu aprendi muito nesta turnê.

Eu aprendi a como sobreviver de comida de postos de gasolina. Eu aprendi a como destravar seu trailer se você está estacionado em uma ladeira. Eu aprendi a como agradecer a alguém por prestar atenção na nossa música. Eu acho que meu ponto é: nós nos propusemos a conhecer pessoas e conhecemos pessoas. Em alguns shows conheci quatro pessoas; em outros, quarenta. Foi a primeira vez na minha vida que alguém me abordou e pediu para eu assinar meu nome em um pedaço de papel. Se nós sabíamos ou não na época, esse foi um passo importante para nossa banda. Até este ponto, o único contato que tivéramos com nossos fãs foi na internet. Nós passávamos horas respondendo comentários e interagindo com fãs, todo dia, mas, no final, isso nos levaria longe. As conexões tangíveis e pessoais que fizemos em algumas dessas primeiras turnês fizeram a diferença. Eu posso dizer isso porque até hoje encontro pessoas todas as noites que me dizem em detalhes o que eu disse a elas na última vez que estive na cidade. Eu posso não lembrar de tudo, mas eles lembram. Eu sei que o que dissemos é importante para eles. Neste ponto da história, você poderia apertar “avançar” até os dias de hoje e eu sei com certeza que, em qualquer ponto desses dez anos, você poderia apertar “pausa” e nos ver lá fora depois de algum show, apertando mãos e tirando fotos.

Mas vamos avançar apenas para a primeira turnê de maior suporte para a nossa banda. Esta turnê realmente abriu nossos olhos. Os shows eram enormes, vendemos uma boa quantidade de camisetas e nos divertimos muito. À medida que as coisas aconteciam, começamos a notar algo. Essas bandas bem conhecidas estavam cobrando dinheiro para “meet & greet”. Muito dinheiro (além de comprar uma camiseta, outros 20 dólares ou mais) apenas para ter 5 segundos rápidos com a banda e depois ir embora. É aqui que as coisas podem ficar um pouco divisórias. Existem duas maneiras de abordar isso. Eu vou acabar com isso.

Primeiro, ok, eu entendo. A indústria da música está em declínio, tudo está em chamas, ai meu Deus, ninguém está comprando discos mais, o que fazemos? A resposta comum nos dias de hoje seria impor um imposto aos fãs. Deixe os fãs pagar mais caro por ingressos, mercadorias e vamos cobrar algum dinheiro se eles quiserem uma foto com a banda. Você está se adicionando (um ser humano) à sua lista de produtos disponíveis. Pense sobre isso. Pague dinheiro, me (ou nos) conheça. Parabéns, você se tornou um ser humano com uma etiqueta de preço. Você agora está dizendo “nós nunca poderíamos fazer isso sem os nossos fãs” e você está absolutamente certo. Se os fãs pararem de pagar esses preços altos você pode despedir-se desse ônibus confortável de turnê, dos membros experientes da equipe, e provavelmente da sobrevivência a longo prazo da sua banda.

Agora vamos pegar um segundo e pensar sobre isso de uma perspectiva diferente. Qual é o objetivo a longo prazo? Se você quer estar em uma banda por muito tempo, por que não pegar um segundo e pensar sobre como as decisões tomadas agora podem afetar sua carreira ao longo do tempo? Se houvesse uma maneira de dar um pouco mais de si mesmo para garantir que seus fãs se sintam satisfeitos, leais e parte de algo maior. Talvez haja. Talvez seja o que fizemos. Continuamos fazendo a mesma coisa, todas as noites. Sendo a atração principal ou a abertura, estamos lá fora conversando com os fãs durante o tempo que pudermos. É isso. Eles estão contando aos amigos deles sobre isso, que vêm com eles na próxima vez que estivermos na cidade. Os shows estão ficando maiores, a comunidade de fãs está ficando maior, ainda fazemos turnês em um ônibus, e eu estou escrevendo este artigo na minha conexão de internet de alta velocidade que eu pago na casa que eu possuo. O meu ponto é que você não precisa passar o custo da queda de vendas de álbuns para os seus fãs. Você precisa se tornar criativo.

“Nós pessoalmente caminhamos pela fila em frente a Vans Warped Tour desde a nossa primeira vez na turnê e fazemos isso sempre desde então. Você precisa trabalhar mais. Você tem que deixar seu ego de lado e fazer o trabalho, independentemente da imagem clássica de rockstar que bandas tentam interpretar. Até hoje, vendemos mais de 20.000 álbuns diretamente para os fãs em apenas um punhado de verões em turnê.” – Pat Kirch

Em 2015, anunciamos a turnê “Free for All”. A ideia era que qualquer um que quisesse nos ver tocar poderia vir. Sem compromisso. Show é gratuito, tudo o que você precisa fazer é aparecer. Sentimos que, se sua situação financeira permite você ouvir nossa música, mas não ao vivo, você deveria pelo menos ter a oportunidade de fazer as duas coisas. Tivemos que ficar criativos com casas de show e locais, mas no final a turnê aconteceu e foi uma das melhores que fizemos. A melhor parte? Não há desculpa. Se você é um fã e vive perto o suficiente, tudo o que você precisa fazer é chegar no show. Não só ganhamos o respeito de nossos fãs, mas nós estávamos atingindo lugares de maneiras que nunca poderíamos ter alcançado antes. A CNN escreveu sobre o que estávamos fazendo, como se fazer algo de graça fosse uma conquista inovadora. Durante todo o tempo, estávamos garantindo que (desde que apresentássemos um bom show) essas pessoas iriam voltar e nos apoiar no futuro. E para nós, não houve pressão. Estávamos nos divertindo. Não havia um preço de ingresso para termos que manter algum padrão e poderíamos escapar por pensar um pouco “fora da caixa”.

Eu acho que no final do dia, tudo é sobre como você aborda isso. Não há nada de errado em estar em uma banda e querer ganhar dinheiro ao mesmo tempo. O que realmente importa para nós é o lado real e tangível das coisas. As pessoas não deveriam ter que gastar uma tonelada de dinheiro em ingressos ou para conhecer um ser humano. Queremos que nossos fãs sintam que são parte de algo grande, e que não terão que falir nos apoiando. O suporte que recebemos nos permitiu dobrar as regras e fazer as coisas da maneira que queremos. Isso levou à criatividade artística e à longevidade. Então, sim, se você estiver em uma banda e quiser saber mais sobre como conseguimos isso, você pode falar conosco pessoalmente, se quiser. Nós seremos os cinco caras lá fora depois do nosso próximo show, conversando de graça.

– The Maine

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