Com álbum novo e turnê, a banda está ganhando destaque em várias revistas e matérias sobre estes assuntos. Confira a tradução da matéria/entrevista que a revista Naked realizou com a The Maine:

Um ano e meio atrás eu sentei no ônibus de turnê do The Maine em um lotado estacionamento em Poughkeepsie, NY, escutando eles discutirem sobre o breve-a-ser-lançado terceiro álbum, Pioneer. Agora, em uma chuvosa manhã de Abril, nos sentamos em uma sala de reunião em Paradigm, a agência de talento da banda, discutindo sobre o breve-a-ser-lançado quarto álbum, Forever Halloween. Esses caras trabalham rápido.

O tempo entre as reuniões foi gasto principalmente na estrada para a The Maine, composta por John O’Callaghan (vocal), Kennedy Brock (guitarra), Pat Kirch (bateria), Jared Monaco (guitarra) e Garrett Nickelsen (baixo). Depois de viver fora de um ônibus por um ano, eles fizeram mais uma unidade de corrida de Phoenix para Nashville, Tennessee, para gravarem com o produtor Brendan Benson.

Forever Halloween é o segundo lançamento do The Maine como banda independente, e eles acharam isto mais fácil para escrever. “Nós cinco somos os únicos que tinham que concordar com isso,” Pat diz sobre o novo álbum, “Nós também não tivemos problemas escutando a opinião do Brendan em nada,” John diz, adicionando que eles são grandes fãs do trabalho dele há anos.

The Maine pulou de uma gravadora independente (Fearless Records) para uma grande (Warner Bros. Records) antes de tomarem a decisão de irem completamente independente no lançamento de Pioneer, em Dezembro de 2011. Pode-se pensar que a transição foi difícil considerando a equipe de marketing e especialistas em publicidade que agora se foram, mas a banda concorda que eles estavam sempre fortemente envolvidos no lado comercial das coisas. “Nós tivemos situações aonde a gravadora iria parar de fazer qualquer coisa por nós depois de dois meses de lançamento do álbum, e gostaríamos de tomar o controle neste momento”, Pat diz, se algo, sendo independente, a banda tem mais opções. Decisões como quem está em turnê com quem e quando um álbum estará sendo feitas completamente por suas bandas, “Nós temos menos dinheiro disponível, mas muito mais liberdade”, diz John.

Quando The Maine assinou contrato com a Warner Bros em Fevereiro de 2009, levou seus fãs a terem várias reações. Enquanto alguns estavam orgulhosos da banda, outros estavam com raiva de que a “scene band” estava “sendo vendida”. Olhando agora para a época deles lá, a banda a descreve como frustrante. “O álbum [Black & White, 2010] que fizemos, nós estávamos orgulhosos e ficamos atrás disto,” diz John. “Eu acho que as decepções vieram com as expectativas que criamos e as coisas que foram ditas antes de assinarmos.”

The Maine também encarou um pequeno pesadelo enquanto estava com a Warner Bros: A equipe inteira que assinou contrato com eles não estavam mais na gravadora, includindo o rapaz A&R* deles. “Você tem uma certa ideia de quando algo vai ser legal e quando não é, é um pouco desanimador,” diz John. A banda admite que depois de alguns meses na gravadora, não parecia que eles faziam mais parte daquilo porque eles estavam fazendo tudo sozinhos. A primeira pessoa a abandonar foi o presidente da gravadora e a cada semana mais funcionários desapareciam. Uma vez que o cara do A&R deles foi embora, eles mal tiveram algum contato com a gravadora. “Foi como um quebra-mola,” brinca Jared.

The Maine lança o Forever Halloween sem nenhuma expectativa—eles estão satisfeitos com o jeito no qual fizeram. Eles gravaram o álbum todo ao vivo. “Há uma espinha dorsal nisto” diz John. “Tem uma alma.” Eles estão orgulhosos de como o álbum ficou, e que por si só é uma realização.

Embora The Maine tenha começado como uma banda que tinha um monte de “coisas extras” nos álbuns, como sintetizadores e auto-tune, eles gradualmente perderam isso a cada álbum. Quando eles começaram a falar com Brendan Benson a cerca de quatro meses antes da ida ao estúdio, ele perguntou como eles se sentiriam se fizessem ao vivo. “Pensamos que ele quis dizer tipo, três de nós fazendo ao vivo,” diz Garrett, rindo.

Mas ele não quis dizer isso. Normalmente, uma banda gravará cada instrumento individualmente e terminar com os vocais. As músicas então serão mixadas e dominadas, e todas aquelas “coisas extras” são colocadas. No primeiro dia de estúdio The Maine passou 12 horas se estabelecendo para então começar a gravar –todos os cinco ao mesmo tempo. “Antes de irmos para Nashville já estava combinado mas eu não acho que algum de nós já sabia realmente como funcionaria até chegarmos lá,” diz John.

Essa não foi a primeira vez que The Maine experimentou fazer o álbum inteiro ao vivo. “Tentamos fazer isso um pouco no Pioneer,” diz Jared. “Não funcionou.” Eles gravaram o Pioneer num estúdio em El Paso, no Texas, e ninguém no local já havia gravado um álbum ao vivo. Brendan tinha muita experiência, e é por isso que ele foi uma peça importantíssima em Forever Halloween.

Nas primeiras oito horas, a banda se adaptou à gravação. Eles não tiveram tempo de mudar coisa alguma pois ficaram no estúdio por apenas um mês, e todas as imperfeições fizeram com que fosse criado o produto final. “Foi um bom tipo de pressão”, diz Pat. O processo abriu os olhos deles para as formas pelas quais eles podem gravar álbuns no futuro. “[o álbum] Também nos ajudou a não darmos muito de nós mesmos em uma só música, o que foi um problema que tivemos no passado”, diz Kennedy. Pat, Jared, Kennedy e Garrett gravaram em uma sala, enquanto John cantou sua parte em uma sala diferente ao mesmo tempo. “Foi como se nenhum de nós realmente soubesse que estávamos gravando”, diz John. “Nós apenas colocávamos as fitas para rodar e não teve aquele sentimento de obrigação de ficar tudo perfeito”.

No que diz respeito a cair na estrada para divulgar o Forever Halloween esse verão, os meninos estão confiantes como nunca. “Do ponto de vista de um guitarrista, há muitos tons de guitarra diferentes entre as músicas e eu tenho que escolher quais tocar ao vivo”, Jared diz sobre o antigo material da banda. Com as novas músicas, não há escolha – todos já têm a sua parte específica. Mas os fãs dos álbuns antigos não precisam se preocupar – The Maine tocará músicas antigas em sua forma original nesse verão. “Eu acho que há um bom equilíbrio entre manter a integridade do som inicial das nossas carreiras e eu acho que seria péssimo se nós pegássemos todas as músicas antigas e tentássemos mudar seus estilos”, diz John. Eles fazem sua setlist pensando em como eles gostariam de ver suas bandas favoritas tocarem: eles não gostariam de ouvir apenas músicas novas. “Eu acho que, especialmente nessa turnê, é importante tocar algumas músicas que não tocamos há muito tempo”, diz John.

Forever Halloween é o resultado de tudo que The Maine tem trabalhado desde a sua formação em 2006. “Nós não poderíamos ter feito esse álbum antes da data que fizemos”, diz John. Eles não se arrependem de nenhum dos álbuns que fizeram porque eles aprenderam algo novo em todas as gravações. “Eu acho que é difícil olhar para trás porque você não pode manipular nada que já fez”, diz John. “Eu acho que tudo que fizemos nos últimos seis anos e meio foi bom para nós”.

No fim da nossa conversa eu perguntei algo simples: com o que se parece o som de Forever Halloween? John sorri e responde, “Parece conosco”.

A&R: A singla de Artists and Repertoire (Artistas e Repertório) é sobre alguém que atua como o elo entre o artista e a gravadora.

fonte