Depois de meses de silêncio, o LA Music Blog conseguiu conversar com Jared. O guitarrista contou um pouco sobre o processo do novo trabalho da banda, American Candy, e sua futura turnê com Real Friends, Knuckle Puck e The Technicolors. Confira:

Seu primeiro lançamento independente, Pioneer, foi gravado em uma cabana no Arizona, e esse novo álbum, American Candy, foi gravado em Joshua Tree enquanto o grupo estava evitando as redes sociais. Está se tornando uma tradição que processo de gravação de seus álbuns se torne um tipo de isolamento para a banda?
Eu acho que é uma decisão consciente. Nós gravamos o Pioneer em um rancho em El Paso no meio do nada. Eu acho que foi importante que nós pudemos nos afastar de tudo. Nós estamos bem acostumados em gravar em LA. Foi assim que pensamos que sempre faríamos dessa forma, mas conseguimos sair e fomos capazes de gravar em El Paso no meio do nada.

O estúdio era incrível. Tinha tudo que você precisaria, e estávamos fora da grade. Era tipo “Meu Deus, nós literalmente não temos distrações. Não tem nada que temos que fazer agora tirando fazer esse álbum”, e agora isso mudou nossa mentalidade. Essa foi a primeira vez que fizemos algo independentemente e funcionou bem para nós. Nós fomos capazes de levar isso para o Forever Halloween com Brendan Benson em Nashville. Nós tivemos ele como produtor, mas foi mais ou menos do mesmo estilo.

Dessa vez, nós fizemos a mesma coisa. Nós escrevemos metade do American Candy em Phoenix, outra numa cabana na Carolina do Norte, e outra em Joshua Tree. Isso realmente muda o jeito que você se aproxima de algo criativamente e como você o olha. Foi muito bom.

Foi difícil ficar longe das redes sociais, especialmente por ser um lugar muito importante para vocês se comunicarem com os fãs?
Foi muito difícil; nós quase deslizamos algumas vezes. É tão estranho como nós estamos em um ponto na sociedade que é um reflexo pegar seu celular, tirar uma foto e postá-la. Muitas vezes eu estava a ponto de apertar o botão publicar no Instagram ou Twitter, e eu percebi, “Espera, nós não deveríamos fazer isso agora”. A ideia era para ter a separação entre o ciclo do Forever Halloween e o anunciamento de American Candy.

Nossa banda depende muito das redes sociais e é uma grande parte de como interagimos com nossos fãs. Foi bom ficar longe porque nós pudemos nos focar em fazer esse álbum incrível, mas ao mesmo tempo, foi muito difícil de prosseguir com isso.

Seu último lançamento, Forever Halloween, foi muito sombrio e obscuro. O nome American Candy definitivamente soa mais feliz e pop. Essa é uma expectativa razoável?
Eu acho que sim. Eu acho que um pouco do Pioneer e o Forever Halloween tiveram um clima mais sombrio, e esses álbuns foram para nós, então eles são mais introspectivos. Foi sobre algo que estava acontecendo com a gente e era mais obscuro, mas não de propósito.

Vocês produziram esses álbuns sem uma gravadora, então faz sentido eles serem mais introspectivos. Vocês estavam focando no que vocês queriam fazer, não no que outra pessoa queria.
Ai meu Deus, se tivéssemos apresentado essas músicas [do Pioneer ou Forever Halloween] para nossas gravadoras, eles iriam rir. Não era o que as pessoas esperavam da nossa banda. A beleza do que fazemos é que nossos fãs estão dispostos a nos seguir onde sentirmos vontade de ir.

Esses projetos foram divertidos, mas agora nós estamos em um ponto que o jeito que nos sentimos, quem somos, nos coloca em um lugar muito mais feliz do que antes. Eu acho que esse álbum é nós finalmente percebendo que não precisamos ser tão sérios o tempo todo. Isso se apresenta na composição. Não acho que tenha um ar sinistro para esse álbum. Tem um sentimento bom, até mesmo feliz.

Cada um interpretará diferente, mas para nós, é como se fosse do primeiro ao quarto. Parece que nós tiramos as partes mais felizes desses álbuns e colocamos nesse.

Se for cheio de partes marcantes e mais pop, com certeza vai soar desse jeito, já que foi como vocês começaram. Faz sentido se vocês tiveram um tempo para experimentar e brincar com sons, agora vocês estão voltando às raízes.

Eu acho que a melhor parte para nós como músicos é que não parece que dizemos “Ah, vamos fazer o primeiro álbum de novo”. Foi mais por estarmos felizes e estávamos nos vendo como músicos muito melhores, então vamos nessa. Eu não quero entregá-la pois cada um irá interpretar de uma forma, mas será mais bem recebido pelo nosso núcleo de fãs. As pessoas vão ficar animadas com esse.

Como foi trabalhar com o produtor Colby Wedgeworth? Como ele ajudou vocês a voltar para um som mais otimista?
Ele é definitivamente um cara pop. Ele é um incrível produtor pop e isso é o que ele faz de melhor. Foi um lindo equilíbrio entre nosso estranho humor sombrio misturado com seu puro e engenhoso som pop. Nós trabalhamos com Colby no Pioneer e ele foi capaz de trazer o melhor em cada música, o que é o trabalho de um produtor, obviamente, mas nós trabalhamos muito bem com ele.

Nós tivemos ótimos recursos com Brendan quando estávamos trabalhando com ele no Forever Halloween. Ele trabalha de um jeito completamente diferente e conseguimos ótimas ferramentas.

American Candy tem muitas dimensões por causa de todos os diferentes tipos de pessoas que trabalhamos e como Colby aborda as músicas. Ter Colby foi essencial para como esse álbum ficou.

O que te influenciou quando estava escrevendo e gravando esse álbum? O que você estava escutando?
É louco. Quando começamos a escrever, eu normalmente paro de escutar música, acho que os outros caras também fazem isso. Eu não procuro por músicas ou artistas novos, foco na música que estamos fazendo.

Eu estava escutando The Replacements e The War On Drugs antes de começarmos a gravar. Estava escutando bastante surf rock, música caprichada. Bandas que colocam seu próprio jeito na música. Isso definitivamente adiciona um ar excêntrico ao álbum.

Vocês vão tocar em Anaheim no dia 4 de abril, na House of Blues. O álbum já vai ter sido lançado até lá ou as músicas serão surpresa?
Eu tenho uma ideia de quando o álbum vai ser lançado, mas não há nada definido ainda. Vamos resolver isso ainda. Mas é a “American Candy Tour”, então definitivamente tocaremos músicas novas. Vamos anunciar tudo em breve.

Não é assustador tocar uma música nova em um show e ninguém cantar junto?
É a pior e melhor coisa porque você está muito animado para tocar algo novo. Tocamos as mesmas coisas durante os sete ou oito últimos anos. Quando se toca uma música nova, é muito animador para nós, mas também ficamos nervosos. Espero que as pessoas gostem.

Essa é a parte divertida. Não há regras e podemos colocar o que quisermos no set. Nossos fãs estão em um ponto onde eles conseguem facilmente decidir se gostam de algo e podemos ver isso de perto. É a melhor forma de ver se alguém gosta da música — tocar ela pela primeira vez.

Sempre quis saber sobre seus fãs. Quando eu vi vocês tocando no The Roxy, os fãs eram apaixonados e gritavam durante o show inteiro. Parecia até que eu estava assistindo uma boy band. Como você lida com isso?
É a combinação de ter essa conexão com os fãs. É uma merda, mas aparência faz parte de estar no palco. Entendemos que é bobo, mas é legal que alguém esteja tão animado que sente a necessidade de gritar alguma coisa.

Acho que o jeito que eu lido com isso… eu abraço isso porque quando eu pisar em um palco e estiver silêncio, será um dia triste. Acho que não mudaria nada, caso eu pudesse voltar e fazer algo diferente. Viemos do MySpace, que é uma maneira estranha de começar, mas tinha um grupo de pessoas em 2007 que gostavam da nossa banda. Aquele grupo cresceu, fizemos turnê, o grupo cresceu mais. Fazemos isso, continuamos na estrada e escrevemos músicas por causa deles.

Nós temos sorte de ter o John e ter alguém atraente na banda. É legal ter pessoas que se importam.

Gostaria de falar mais alguma coisa?
Estamos prestes a fazer várias coisas que não posso contar. Obrigado por se importar com nossa banda, estamos muito animados para começar o ciclo desse novo álbum. Estou mais animado do que nunca para o lançamento desse álbum. Tem algo diferente nesse álbum e espero que todo mundo goste dele assim como eu.

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