The Maine completou uma década de carreira em janeiro deste ano. Jared escreveu ao site Medium uma reflexão sobre os últimos 10 anos e como eles conquistaram tantos fãs durante essa jornada. Confira:

Nosso sexto álbum de estúdio, “Lovely Little Lonely” será lançado. Enquanto estou sentado escrevendo isso, tento meu melhor para refletir sobre os 10 últimos anos não só da banda, mas também por fazer parte da indústria musical que muda o tempo todo. Começamos em 2007 graças a algumas músicas produzidas com pouco dinheiro e ao MySpace. Alguns de nós ainda éramos muito jovens na época até para sair em turnê (final do ensino médio). Nosso plano era fazer música e interagir com as pessoas que estavam nos seguindo online. Logo no início, começamos a perceber o quão importante aquelas primeiras cem pessoas eram. Reconhecer outros seres humanos na internet claramente nos deu certo poder e nos agarramos a isso. Se tornou tão importante para nós que começamos a passar horas respondendo os fãs todos os dias, certificando que eles sabiam que tínhamos lido os elogios ou as críticas deles. Montamos nossa carreira inteira em cima disso. Consigo lembrar de como foi ver que bandas não conseguiam ser mais misteriosas. A ideia do “rock star” com histórias loucas não existia mais. O contato do fã com a banda virou uma via de mão dupla. É por esse motivo que estamos sentados aqui, do lado de fora de um show esgotado em Seattle, 10 anos depois, sem uma performance em um programa de TV e nem uma música que toca na rádio o dia inteiro. O que temos, entretanto, é uma família inteira de apoiadores que chamamos de 8123.

Depois que as coisas estavam no lugar e de assinarmos com a Fearless Records, começamos a ter um pouco de sorte e a tocar para públicos maiores. A primeira grande turnê que fizemos, éramos a banda de abertura do Boys Like Girls e do Good Charlotte. Mesmo assim, quando ainda era meio assustador, esperávamos o show acabar e íamos para o auditório vazio para conhecer o máximo de pessoas novas possível. As coisas estavam indo bem e nossa nova bandinha estava sendo divulgada. Continuamos fazendo isso em todas as turnês, independentemente do tamanho, sempre pegando um tempo para sair depois dos shows e encontrar o máximo de pessoas possível para agradecer.

O próximo grande passo para nós foi em 2010, quando assinamos um contrato com a Warner Bros. Records. Descobrimos rapidamente que não concordávamos com as ideias deles. Dentro de alguns meses, a equipe inteira que conhecemos no início desapareceu do nada. Nós sentimos algo. Nós sentimos que era um dever nosso com os nossos fãs continuarmos verdadeiros com o que nos levou tão longe. O plano era gravar o próximo álbum sem notificar ninguém da gravadora. O melhor que podia acontecer era a gravadora gostar e lançar. O pior que podia acontecer, e para o que estávamos preparados, era a gravadora não gostar das músicas novas. E eles não gostaram. Isso foi um problema para nós porque, ao contrário do que eles acharam, nós estávamos completamente apaixonados pelas músicas que criamos. Então isso nos levou a uma decisão. A partir daquele momento, lutaríamos o máximo que podíamos para não apenas lançar o Pioneer na 8123, mas para finalmente terminar o nosso contrato com a Warner Bros. e operar de forma independente com a 8123. Lançamos 4 álbuns dessa forma desde então e temos total controle de todos os aspectos da nossa banda. Não nos consideramos parte da indústria da música e pretendemos continuar na nossa bolha, apenas nos importando com o que queremos fazer e incluindo nossos fãs o máximo possível.

De todos os conceitos criativos e loucos que tornamos real como uma banda independente, um que se destaca muito foi nossa turnê “Free For All” em 2015. Fizemos shows de graça na América do Norte como forma de agradecimento aos nossos fãs por irem a tantos de nossos shows nesses anos todos. Crescemos cansados de ver outras bandas cobrarem os fãs para tirar fotos ou meet and greets. Essas bandas que não se atualizam têm dificuldade em ganhar dinheiro e acabam passando esses custos para os fãs leais com esquemas de pague-para-ganhar como pacotes VIPs e sessão de autógrafos. Acreditamos que se você gosta da nossa música e nos apoia comprando uma camiseta ou vindo à um show, você deveria no mínimo ter a mesma oportunidade de todas as outras pessoas e nos conhecer ou ganhar um autógrafo. Entendemos que se não fosse pelo apoio dos nossos fãs, independentemente do nível da nossa dedicação, nunca teríamos a chance de proporcionar experiências únicas como a turnê gratuita.

Outra coisa muito valiosa que aprendemos nessa jornada é nunca subestimar nossos fãs. Algumas vezes já me perguntei se as pessoas iriam entender a mensagem que estamos tentando transmitir com uma música, um vídeo ou até mesmo algo simples como um tweet. Dia após dia, eu aprendo que essa comunidade que criamos estará lá por nós durante os altos e os baixos. Se você voltar e escutar nosso primeiro álbum até o nosso último, não é segredo que fomos em todas as direções. Nossa banda passou por um grande processo de exploração depois que abandonamos a Warner Brothers. Tivemos muita liberdade criativa e começamos a fazer música que realmente queríamos fazer. Durante tudo isso, contudo, nossos fãs continuaram aparecendo, comprando álbuns, interagindo online, aumentando a família 8123, e o mais importante, continuaram nos escutando. Isso nos ajudou a descobrir quem realmente somos como banda.

Então, enquanto estou sentado aqui em Seattle vendo a fila de fãs entrar na casa de show, penso em quem nossos fãs são como indivíduos. Alguns são novos, alguns mais velhos. Alguns já nos deixaram para trás e talvez toquem nossos álbuns antigos para se lembrarem de algum momento específico em suas vidas. Alguns ainda estão lutando conosco todos os dias. Todo fã tem sua própria história. Como eles nos descobriram, o sentimento que provocamos neles, o que nossa banda significa para eles. Penso no nosso novo álbum, “Lovely Little Lonely”, no que ele significa para a gente, e como daqui a pouco ele não será só meu quando for lançado para o mundo todo. Penso como a família 8123 irá escutar as músicas no carro, no caminho da escola, no metrô, no celular, talvez em algum tocador de discos. Me lembrei de algo que fizemos recentemente para alguns fãs em Phoenix. Se fossemos uma banda normal, teríamos mandado uma caixa especial, um pôster autografado ou algo simples para esses fãs. Mas não fizemos isso. Continuamos fazendo o que sempre funcionou para nós. Pensamos mais alto e acabamos parando em uma caixa, no caso uma caixa de caminhão. Fomos até a casa desses fãs e surpreendemos eles com uma versão ao vivo do nosso single “Bad Behavior”.

O novo álbum foi lançado hoje e você pode adquirir sua cópia física aqui ou pelo iTunes. A banda passará pelo Brasil em julho para divulgar o novo trabalho. Você pode conferir todas as informações sobre a turnê por aqui nesse post.