Nesse domingo (30/08) começa a turnê ‘Free For All’, com vários shows gratuitos nos Estados Unidos. John e Tim Kirch falaram sobre a turnê para o site da CNN. Confira:

(CNN)- Para um músico em turnê profissional isso soa como uma receita para o desastre.
Você e seus colegas de banda entram em um ônibus para uma turnê nacional. Mas em quase todos os lugares que vocês vão, ninguém paga um centavo para entrar em seus shows. Você não tem nenhuma empresa patrocinadora. Nenhuma gravadora pagando a conta.
Na maioria das noites, você não vende nem um ingresso. Mas isso é exatamente o que os membros do The Maine, uma banda de rock do Arizona, se comprometeram em fazer, lançando uma turnê grátis em 26 cidades, que começa domingo em Henderson, Nevada. Nesta época de queda nas vendas de discos, em que os músicos fazem a maior parte de sua renda através de turnês, é uma jogada ousada – alguns podem dizer louca.
“É definitivamente uma coisa arriscada”, diz Tim Kirch, empresário do The Maine, “mas eu não vou colocar a banda em uma situação onde eles vão falir nesta turnê. Eu acho que nós vamos chegar perto de gastar o mesmo que ganhamos.”
Em vez de teatros ou clubes, The Maine vai tocar em locais não tradicionais, tais como shoppings e parques de estacionamento. E para poupar dinheiro, eles vão dormir em seu ônibus de turnê.
Para ser justo, a banda ainda vai ganhar alguma renda na estrada. Ao longo do caminho eles estarão tocando um punhado de shows com seu preço de ingresso regular – cerca de $25. Eles vão ganhar dinheiro com a venda de camisetas e outras mercadorias. E em seu site, eles convidaram os fãs a doar dinheiro para a gasolina “para irmos de show para show.”
Ainda assim, a ideia de uma turnê grátis leva algum tempo para os membros da banda e os fãs se acostumarem.
“Houve um monte de perguntas como: ‘precisamos de ingressos?'” diz o vocalista John O’Callaghan. “E é meio estranho de dizer: ‘não, apenas apareça’.”
Formada em 2007 na área de Phoenix, The Maine é O’Callaghan, Jared Monaco na guitarra, Kennedy Brock na guitarra, Garrett Nickelsen no baixo e Patrick Kirch na bateria. O som deles inclui elementos de pop, punk, emo, indie e rock genuíno, marcado por fortes riffs de guitarra, harmonias leves e batidas dançantes.
The Maine tem flertado com o sucesso comercial, com álbuns alcançando o top 50 da Billboard e marcando um acordo com uma grande gravadora, Warner Brothers, para seu álbum de 2009, “Black & White”. Mas, principalmente, eles construíram bastante seguindo a maneira antiga: através de constantes turnês pela América do Norte e no exterior.
“Muitos de nossos fãs têm ido a mais de uma centena de shows”, diz Kirch, “então nós fazermos uma [turnê] de graça não é nada.” Kirch se recusou a dizer quanto a banda geralmente ganha com um show, ou quanto “dinheiro para gasolina” foi doado online até agora.
O’Callaghan disse que a banda, cujo mais recente álbum é “American Candy”, quis montar uma turnê gratuita durante anos. Mas eles tiveram que esperar até se sentirem financeiramente seguros. “Esta é a nossa tentativa de retribuir e agradecer a todas as pessoas que nos apoiaram e vieram nos ouvir tocar música”, diz ele, “nós fizemos alguns grandes amigos em todo o mundo e construímos relações que vão muito além da experiência de ir ao show.”
Os shows gratuitos podem ter outro benefício incomum: eles eliminam a natureza transacional da maioria dos shows. Em vez de se preocupar em dar ou receber o seu dinheiro, todos os envolvidos podem se concentrar apenas na música.
E, de preferência, não se preocupar se The Maine vai à falência.
A banda entende os perigos financeiros desta experiência de cinco semanas. Se há uma outra banda que montou uma turnê nacional grátis, nem Kirch nem O’Callaghan sabem.
“Eu não acho que isso foi feito antes”, diz O’Callaghan, “eu acho que isso é o que nos deixa tão animados. E nervosos.”

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